Polícia Civil prende acusados de ‘turismo criminal’ no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, no sábado (23/10), dois integrantes de um grupo especializado em “excursões criminais”. Os homens, de 36 e 25 anos, foram detidos em flagrante pela 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte). Durante audiência de custódia nesta segunda-feira (25/10), os suspeitos tiveram a prisão convertida em preventiva. Um terceiro integrante do grupo, já identificado, segue foragido.

Segundo as investigações, os suspeitos alugavam carros, em São Paulo, para vir ao Distrito Federal nos fins de semana. Eles ficavam hospedados em hotéis de alto padrão e, durante a estadia, percorriam diversas agências bancárias e instalavam dispositivos que prendiam os cartões usados nos terminais bancários. As máquinas usadas são conhecidas como “pescadores”.

Após prender os cartões, eles voltavam para recuperá-los e utilizavam em compras de altos valores. Como os acusados não permaneciam no DF, foi necessária uma investigação mais detalhada.

Recorrente

O delegado Erick Sallum, da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), explica que os suspeitos dificultam o trabalho policial porque trocam de roupa entre a ida de uma agência bancária para outra. “Ocorrências do tipo são endêmicas. Como estava acontecendo demais, entramos em contato com a Área de Inteligência do Banco do Brasil para monitorar. Como já sabemos o itinerário dos criminosos, ficamos ligados. Eles agem principalmente em shoppings, onde o movimento é maior”, detalha o delegado.

Os detidos vinham sendo monitorados desde sexta-feira (22/10), quando chegaram ao Distrito Federal. No sábado (23/10), os suspeitos cometeram as fraudes em caixas eletrônicos de locais de alta renda e frequentados por idosos, como Lago Norte, Lago Sul, Asa Norte e Asa Sul. Os dispositivos de retenção de cartões foram instalados em caixas eletrônicos no Deck Norte. Com os autuados, foram encontrados os “pescadores”. As equipes da 9ª DP prenderam os suspeitos após tentativa de compra de um IPhone 12 Pro, no Shopping Iguatemi, no Lago Norte. O aparelho custa cerca de R$ 7 mil. Eles tiveram a prisão em flagrante convertida para preventiva foi excepcional.

O delegado responsável frisou que, em crimes como esse, os suspeitos atuam sem violência  e não costumam ficar detidos. “A normalidade é serem soltos na audiência de custódia, quando voltam o estado de origem e a Justiça não consegue nem mais citá-los, levando à prescrição dos crimes. Brigamos com o Ministério Público e o Judiciário para converter a prisão para que entendam que essa prática não é encarada como brincadeira aqui no DF”, frisa o investigador.

Modo de agir

Segundo a polícia, depois de instalarem os “pescadores” nos caixas eletrônicos, os criminosos permanecem no local e agem como clientes do banco preocupados em ajudar as vítimas. “Eles sabem que aqui no DF tem muita gente de alto poder aquisitivo, então vêm focados. Quando a pessoa começa a tentar tirar o cartão, eles se aproximam e fingem querer ajudar. Instruem a pessoa a ligar para a central do banco, mas entram em contato com outro comparsa, que acaba conseguindo pegar a senha do cartão da vítima. A pessoa é pega pelo enredo. Depois da ação, destacam o cartão do ‘pescador’ e começam a fazer compras dentro do próprio shopping”, completa o delegado.

A Polícia Civil pede a quem teve cartões retidos em caixas do Banco do Brasil durante o fim de semana que compareça à 9ª DP. A PCDF também orienta as pessoas a não aceitarem a ajuda de estranhos e em caso de perda do cartão, ou da retenção no caixa, solicitar o bloqueio imediato.

A defesa do acusado de 36 anos afirmou ao Correio que vai se manifestar dentro dos autos do processo. A reportagem tenta contato com os advogados do outro detido.

 Da redação com o Correio Braziliense

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *