Guedes culpa comida e energia por inflação e diz que há alta de preços no mundo todo

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse na última terça-feira (12) que atualmente há inflação em todo o mundo, e afirmou que o aumento de preços de alimentos e energia é responsável por metade dos índices no Brasil.

“A inflação está [alta] em todo o mundo. Metade da inflação é exatamente comida e energia. Por isso, nossa proteção [social] ainda está lá. Vamos manter essa proteção. Vamos aumentar a transferência direta de renda para população pobre para cobrir os preços dos alimentos e da energia”, afirmou Guedes em entrevista à CNN Internacional.

O governo espera lançar em novembro o Auxílio Brasil, programa social substituto do Bolsa Família. O plano é elevar o benefício médio para cerca de R$ 300 por mês. O valor médio do Bolsa Família é de aproximadamente R$ 190 mensais.

O IPCA, índice oficial de inflação do país, atingiu 1,16% em setembro e acumula alta de 10,25% em 12 meses. O indicador anualizado é quase o dobro do teto da meta de inflação perseguida pelo BC, Banco Central, de 5,25%.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) avalia que a inflação no mundo deve seguir em alta até o fim de 2021, mas arrefecer no ano que vem e retornar a níveis pré-pandemia.

Guedes está em Washington, capital dos Estados Unidos, para participar da reunião anual do fundo.

De tarde, Guedes voltou a ser questionado sobre a inflação no Brasil durante uma entrevista à Bloomberg. A apresentadora Shery Ahn ressaltou que o indicador no país atingiu dois dígitos pela primeira vez desde 2016. O ministro reconheceu que a inflação está em alta, mas que confia nas políticas fiscal e monetária para combater o aumento dos preços.

“Eu não acredito que [a inflação] irá piorar, porque os fundamentos [econômicos] estão avançando”, afirmou. Ele citou que a expectativa é de um déficit fiscal próximo de zero no próximo ano.

Questionado sobre a desvalorização do real, defendeu as políticas atuais. “Os auxilios que demos, como Bolsa Familia, estão dentro do teto de gastos, e o governo não aumentou seu gasto público de modo permanente na pandemia. Mas há um forte barulho político. As pessoas que perderam a eleição três anos atrás não aceitam o resultado. Eles seguem tocando seus tambores. Entendemos isso. É uma democracia vibrante. Mas a esquerda foi derrotada por liberais e conservadores”, afirmou.

O ministro também minimizou as projeções feitas pelo FMI de que haverá crescimento menor da economia brasileira em 2021 e 2022. “As previsões sobre o Brasil tem errado consistemente. O PIB do Brasil caiu menos do que o de países avançados durante a pandemia. Nos recuperamos mais rápido e estamos crescendo em taxa mais alta do que a média, não só da América Latina, mas da Zona do Euro”, afirmou. “Crescimento não será um problema, o problema é a inflação”.

Guedes disse que o país crescerá 5,5% este ano (o FMI prevê 5,2%), e que o avanço da vacinação ajuda na recuperação da economia. “Estamos à frente dos Estados Unidos na vacinação. Estamos tendo uma recuperação aguda porque as pessoas estão tendo um retorno seguro ao trabalho”, disse.

Uma prorrogação do auxílio emergencial, de acordo com Guedes, só deverá ocorrer em caso do surgimento de uma nova variante e recrudescimento da pandemia no país, o que, na avaliação do ministro, não está no horizonte.

Antes, na entrevista à CNN, ele havia sido questionado sobre a condução do Brasil no combate ao coronavírus e a marca de mais de 600 mil mortos pela Covid-19, e respondeu que as declarações de que o país não priorizou preservar vidas eram “barulho político”.

Segundo Guedes, o foco do país foi salvar vidas e, em segundo lugar, vacinar a população em massa.

“Gastamos mais salvando vidas que vocês [Estados Unidos]. Gastamos mais dinheiro salvando vidas que países desenvolvidos. 10% mais. E usamos o dobro de gastos para preservar vidas que a média dos países emergentes”, afirmou ele.

O ministro se referia ao pacote de medidas lançado no início da pandemia para reduzir o impacto do coronavírus na economia, além de ações sociais, como o auxílio emergencial.

Ao público estrangeiro, ele afirmou que o país tem um compromisso com a sustentabilidade e reforçou que o país irá apresentar um programa para o crescimento sustentável na COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021).

Ao ser perguntado sobre a saída de investimentos estrangeiros e risco de desindustrialização no país, o ministro listou itens da agenda econômica que avançaram no governo, inclusive com expectativa de ingresso de US$ 100 bilhões em investimentos em diversas áreas, e afirmou que o Brasil é o quarto país do mundo que mais recebe investimentos do exterior.

Questionado sobre a informação de que ele mantém recursos em um paraíso fiscal, Guedes voltou a dizer que a offshore nas Ilhas Virgens Britânicas é legal, foi declarada e informada à comissão de ética da Presidência da República.

Além disso, lembrou que se afastou da gestão da empresa antes de assumir o cargo no governo do presidente Jair Bolsonaro. “Eu não fiz nada de errado”, disse o ministro.

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