Mulher mais rica da África é acusada pelo governo e vê fortuna desmoronar

Isabel dos Santos, considerada a mulher mais rica da África, está vendo sua fortuna desmoronar. Segundo a Bloomberg, ela enfrenta uma batalha judicial contra o governo de Angola, que a acusa de causar mais de US$ 5 bilhões em prejuízos à economia durante os anos que seu pai, José Eduardo dos Santos, governou o país.

Dos Santos foi presidente do país africano por 38 anos e deixou o cargo em 2017, quando seu aliado João Lourenço assumiu. Isabel era presidente da petroleira estatal Sonangol na época e foi demitida. Dois anos depois, seus bens foram congelados pela Justiça de Angola. Ela não consegue pagar as dívidas de suas empresas, já que precisa de autorização judicial para qualquer transferência em dinheiro.

O governo de Angola considera Isabel suspeita de transações ilícitas com empresas estatais enquanto era presidente da Sonangol. O Luanda Leaks, relatório publicado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, também apresenta evidências de que Isabel teria ganhado dinheiro por acordos com o Estado.

Segundo a Bloomberg, antes do congelamento, os bens de Isabel valiam cerca de US$ 2,4 bilhões, o que a tornava a mulher mais rica da África. Ela controla os supermercados Candando, que atualmente estão com metade das prateleiras vazias, e uma fábrica de cerveja que está operando com 30% da capacidade de produção. Isabel também possuía um quarto da Unitel, a maior empresa de telefonia móvel de Angola.

Além disso, ela tem participações indiretas de 26% na empresa de cabo e telecomunicações Nos e 6% na Galp Energia – que também estão com os ativos congelados. “A quantidade de destruição de valor que está acontecendo agora é de centenas e centenas de milhões de dólares”, disse Isabel em uma entrevista em Dubai, onde mora no momento.

O governo estima que mais de US$ 24 bilhões foram saqueados durante a gestão do pai de Isabel, José Eduardo dos Santos – período em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o Estado não registrou adequadamente suas receitas do petróleo.

Ela ainda não foi julgada e nega as acusações. Em nota à Bloomberg, o governo angolano disse que vai usar os meios judiciais, diplomáticos e outros a seu dispor para garantir o efetivo repatriamento dos bens retirados do país.

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