Bolsonaro ensaia discurso para reforçar poder bélico das Forças Armadas

Por João Pedro Marques

CORRIDA ARMAMENTISTA

A julgar pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro, nesta terça-feira, as Forças Armadas poderão ganhar uma injeção de recursos. Segundo ele, para defender a Amazônia é preciso de “Forças Armadas preparadas”. Bolsonaro havia sido questionado por um apoiador se gostaria de mandar um recado ao mundo sobre a proteção da Amazônia – uma clara insinuação ao fato de o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, já ter se manifestado contrariamente à política do governo federal para a Amazônia, que estimularia a devastação ambiental. Bolsonaro apenas riu e não respondeu. Uma mulher, então, disse: “A Amazônia é nossa!”, comentário que provocou a resposta do presidente.

DUPLA DA PESADA?

A possibilidade de uma chapa formada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro e pelo apresentador Luciano Huck causou alvoroço no governo e no meio político nacional. A dois anos das eleições presidenciais, os dois deram a largada para a corrida ao Planalto, num encontro em Curitiba. O ex-juiz da Lava-Jato também se articula com outros possíveis apoiadores, como Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Até mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão aparece nas pretensões do ex-magistrado.

BALÃO DE ENSAIO

Moro afirma ser um político de centro, o que seria uma alternativa a Bolsonaro e aos candidatos de esquerda. No entanto, especialistas divergem sobre o alinhamento do ex-ministro, principalmente por ele ter aceitado integrar o atual governo por mais de um ano. As últimas pesquisas apontam Moro com 10% a 11% das intenções de voto. Mandetta tem um percentual bem razoável, além do Doria, que tem uma pegada mais ao centro quando se compara com a direita, ou a extrema direita, representada pelo Bolsonaro. O que deve começar, agora, é a articulação para saber quem encabeça a chapa. Pode ser o Moro, Mandetta ou Doria. No caso do Luciano Huck, pode ser mais um balão de ensaio.

DEU MARGEM

A polêmica em torno de Sérgio Moro e Luciano Huck deu margem para Ciro Gomes (PDT) também ganhar espaço na mídia. Ciro disputou a Presidência da República em 2018 e já declarou que gostaria de concorrer novamente. O pedetista disse que nenhum dos dois foi centro. “No dia que Doria, Huck e Moro forem de centro, eu sou de ultra-esquerda, o que eu nunca fui”, afirmou o presidenciável após evento com a militância de seu partido. Segundo Ciro Gomes, Moro vendeu a toga em troca de um cargo vitalício e é um cara da extrema-direita. “O Moro se veste como os fascistas italianos da década de 1930. Ele está sempre com uma camisa escura sobre um paletó escuro. O Moro é fascista”.

ELEIÇÕES 2022

Quem também se encontrou com Luciano Huck foi o presidente da Câmara, deputado Rodrigo maia (DEM). Maia almoçou com o apresentador global, que negocia aliança com o ex-juiz Sérgio moro para as eleições de 2022. Mas disse que foi um almoço de amigos e que sempre ocorre quando o parlamentar vai ao Rio de Janeiro. Ainda assim, aproveitou o tema para mandar outro aviso a Bolsonaro. “O resultado da agenda (do governo) dos próximos seis meses é que vai ditar a regra das eleições de 2022. Se for responsabilidade fiscal, tem uma força. Se for heterodoxa, uma força muito menor”, projetou.

CAMPO MINADO

O país, na visão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), virou um campo minado prestes a explodir. O deputado se refere à obstrução da pauta de votações pela base aliada do governo. Segundo o parlamentar, se não desobstruir a pauta da Casa o quanto antes, “o brasil vai explodir em janeiro”. Maia falava sobre a disputa pela presidência da Comissão Mista de Orçamento quando fez a declaração. Defendeu que o plenário da Casa não está parado, e que está pautando as matérias. A falta de quórum é provocada pelos governistas, que querem forçar o DEM, o PSDB e o MDB a desfazer o acordo pela presidência da CMO. “Quem tem interesse na pauta é o governo”, disse.

SALVO-CONDUTO

Nenhum eleitor pode ser preso ou detido de hoje (10) até 48 horas após o término da votação do primeiro turno, no próximo domingo (15). A proibição de prisão cinco dias antes da eleição é determinada pelo Código Eleitoral (Lei 4737/1965), que permite a detenção nos casos de flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto. O flagrante de crime é configurado quando alguém é surpreendido cometendo uma infração ou acabou de praticar. De acordo com o Código de Processo Penal, se um eleitor é detido durante perseguição policial ou se é encontrado com armas ou objetos que sugiram participação em um crime recente, também há flagrante delito. O que não pode é abusar da sorte, pois acabará preso de qualquer forma.

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