A bílis e seu papel na bosta mal-educada

O que a fisiologia humana explica sobre certo tipo político que escorre a céu aberto pelas ruas de Cuiabá

 

 

Por João Orozimbo Negrão

 

 

Há políticos que guiam suas atuações pelo cérebro. E há aqueles que se norteiam pelo fígado. Pelo senso comum, agir pelo fígado é não usar muito o cérebro e se nortear pela impulsividade. Neste caso, o camarada pode até não estar errado, mas deixou a emoção suplantar a razão. Resultado: invariavelmente perde a razão.

E há outro tipo de político, muito em voga nos dias idos – é aquele que se rege pelas vias mais rasteiras, se guia pela pobreza de espírito e percorre os esgotos mais podres. É o político bílis.

Pela fisiologia humana, a bílis, ou bile, ou fel, se encontra ali numa parte do fígado (uma vesícula) e serve para, entre outras funções, dissolver a gordura dos alimentos para que ela seja, mais adiante, bosta.

Ou seja, a bílis é secretada pela vesícula que fica no fígado e ajuda fazer com que a bosta siga seu curso natural pelos intestinos delgado e grosso até dar no reto e escapulir pelo ânus. Este também conhecido por cêsso. “Êpa, esta palavra não pertence ao vocabulário formal, João Orozimbo Negrão!” Perdão: o certo é cu mesmo.

Então, a bílis faz um grande favor para o ser humano e a sociedade em geral. Ela cuida para que a bosta saia pelo cu de forma tranquila e siga pela privada até dar no esgoto.

O problema é que a bílis às vezes se confunde em sua função fisiológica, transplanta as raias de sua racionalidade fisio-anatômica e submerge ao mundo da política mais imunda e vira fel de verdade.

A bílis, neste caso específico, é fel e vem contaminando tudo, estragando tudo que toca com sua boca de esgoto. A bílis suja tudo. A bílis suja até ela própria e não se dá conta de que todas, todos e todes já estão percebendo que a bílis já não tem função honrosa no corpo humano. E muito menos na sociedade.

Ao emergir do esgoto e escorrer a céu aberto pelas ruas de Cuiabá, a bílis não passa daquilo que sempre foi: fel, pura e simplesmente.

* João Orozimbo Negrão é jornalista em Brasília, morou em Cuiabá por 27 anos, onde construiu sua carreira profissional, fez milhares de amigos e teve dois de seus quatro filhos.

 

 

 

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