Governadores discutirão com Maia e Alcolumbre vacina contra a Covid-19

Encontro ocorre depois que o presidente Jair Bolsonaro cancelou o compromisso assumido por Pazuello de compra de imunizante chinês

 

 

Por LUCIANA LIMA, do Metropoles

 

 

Após o presidente Jair Bolsonaro desautorizar a decisão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que havia assumido o compromisso de comprar 46 milhões de doses da vacina Coronavac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac, governadores decidiram resolver o assunto com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A reunião está marcada para a próxima terça-feira (3/11), em Brasília. E deve contar com a presença do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e boa parte dos 24 chefes dos executivos estaduais que participaram da conversa com o ministro.

Depois de participar de um almoço no Palácio do Planalto com o presidente da República, Jair Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse que a questão da vacinação contra o coronavírus será o tema da reunião. Ele disse que esse assunto foi evitado durante o almoço no Palácio do Planalto, realizado com a presença de alguns ministros e parlamentares alinhados com o Planalto.

“Todos são convergentes de que precisa se ter um outro momento para uma conversa sobre esse assunto. Não é para ser discutido em um almoço. Ele deve ser discutido em um encontro que teremos no próximo dia 3 de novembro, com o presidente da Câmara e com o presidente do Senado”, disse Caiado.

Ele esteve esteve na reunião na qual Pazuello anunciou o compromisso de compra da Coronavac a ser por meio de uma parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, mas recuou da decisão após a atitude de Bolsonaro, anunciando o cancelamento.

Compromisso

Caiado, no entanto, espera que fique mantido o compromisso do Ministério da Saúde de incluir a vacina no Sistema Nacional de Imunização.

“Eu acho que nós vamos dar conta de manter aquilo que foi muito bom, no resumo, do Ministério da Saúde. que é a garantia de que vai continuar com o programa nacional de imunização . Isso vai ficar ficar nas mãos do Ministério da Saúde”, apontou o governador goiano.

De acordo com Caiado, todos os estados receberão as vacinas de acordo com a faixa etária, com o grupo de risco. “Acho que é por aí. Se a vacina é A ou B ,não interessa. Como diz o chinês: não me interessa a cor do gato, me interessa que ele pegue o rato. O que eu preciso é vacinar a população”, disse o governador, ao sair do Palácio do Planalto.

Obrigatoriedade

Caiado disse ainda que será necessário uma campanha de conscientização para que a população tome a vacina, mais que defender a obrigatoriedade, como faz o seu colega de partido João Doria.

“É difícil impor uma obrigatoriedade. Ela já existe, como controle sanitário, quando você vai para qualquer país. São regras internacionais. O que se deve fazer é uma política de esclarecimento da importância do programa nacional de imunização. É uma política que se faz de conscientização das pessoas”, destacou.

“Para qualquer lugar que você vai no mundo, vai ter que apresentar o seu atestado de vacinação para poder viajar”, destacou.

Ao falar da resistência de Bolsonaro em relação à vacina do Butantan, Caiado lembrou que o governo investiu recursos na Fundação Oswaldo Cruz para a produção de uma vacina. Para ele, o governo federal não consegue aplicar em todas as vacinas contra a Covid-19 em desenvolvimento no Brasil.

“Você teve um investimento do governo federal, junto à Fiocruz, para que tivesse uma vacina. É lógico, o governo não tem como investir na [vacina] russa, na A, na B e na C. Você fica sem caixa para isso. Fazer R$ 1,9 bilhão de investimento em cada uma que está registrada no Brasil é um pouco difícil.”

 

 

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