A deficiente política de transporte coletivo no Distrito Federal

Por Salin Siddartha

 

Uma das missões do Governo do Distrito Federal sob uma administração verdadeiramente preocupada com o empoderamento democrático das comunidades locais deve ser a de promover a eficiência do setor de transportes, visando a impactos positivos em questões como segurança, meio ambiente, energia, movimentação e crescimento econômico. O meio urbano, a cada dia, apresenta-se mais ambientalmente insustentável: o aquecimento global fica evidente, e o modo de deslocamento é um potencializador desse agravante.

A promoção da eficiência do setor de transportes clama que os meios de deslocamentos urbanos minimizem a quantidade de viagens dos veículos para locais geradores de tráfego, por intermédio da utilização de ferramentas organizacionais, de informação e de sensibilização. As interfaces multimodais devem compor a estrutura de um transporte público eficiente no DF, centrando-se nas questões de localização, projeto, implementação, financiamento e gestão da integração dos passageiros com o transporte coletivo.

É preciso convencer a população de que há outras maneiras de se sentir engrandecido além de ter seu carro próprio. Fazê-la compreender que o uso desordenado do automóvel nos deslocamentos individuais já não pode garantir a mobilidade da maioria dos cidadãos

O Distrito Federal foi planejado para a circulação de veículos, mas, pela deficiência do transporte coletivo, pela falta de uma política de transportes consequente, priorizou-se o automóvel. O carro propicia “status”, prazer e economiza tempo – estabelece-se, inclusive, uma certa relação carinhosa entre o proprietário e seu veículo, porém o automotor é responsável por uma enorme agressão ao meio ambiente e reforça o sedentarismo, fator que reflete negativamente na saúde do ser humano, sem falar nas muitas colisões, atropelamentos e suas repercussões. É preciso raciocinar sobre o uso indiscriminado desse meio de transporte. Para viagens casa/trabalho e para pequenos deslocamentos, ele deve ser evitado. Além dos meios alternativos, como a bicicleta, deve-se utilizar o transporte coletivo, pelo número de pessoas que carrega e por ser menos poluente.

O transporte coletivo é um investimento prioritário: por conseguinte, o lucro da iniciativa privada não pode estar acima dos interesses coletivos, não é possível manter essa lógica, e o transporte coletivo não pode ser objeto de ganho financeiro excessivo

Por isso, torna-se necessário, além do fortalecimento de uma política de transportes coletivos públicos, o estímulo a uma mudança de hábitos da população e um incentivo ao transporte solidário. Urge uma política de transporte e circulação que proporcione acesso amplo e democrático ao espaço urbano, por meio da priorização dos modos não motorizados e coletivos de transporte sobre os demais, que não gere segregações espaciais e seja socialmente inclusiva. É preciso convencer a população de que há outras maneiras de se sentir engrandecido além de ter seu carro próprio. Fazê-la compreender que o uso desordenado do automóvel nos deslocamentos individuais já não pode garantir a mobilidade da maioria dos cidadãos.

Deve-se ampliar e renovar a frota de ônibus e VLs para que se possa aumentar a mobilidade das parcelas mais carentes da população. Os ônibus devem pagar menos impostos que os automóveis, e mecanismos devem ser desenvolvidos para que a decorrente redução de custos seja, de fato, apropriada pelos consumidores. O transporte coletivo é um investimento prioritário: por conseguinte, o lucro da iniciativa privada não pode estar acima dos interesses coletivos, não é possível manter essa lógica, e o transporte coletivo não pode ser objeto de ganho financeiro excessivo.

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