Decotelli pede pra sair e  Ministério da Educação fica novamente à deriva

Roeu a corda

Decotelli não aguentou a pressão e roeu a corda na tarde dessa terça-feira (30). O recém-nomeado ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva pediu demissão da pasta antes mesmo de tomar posse. Parte da culpa talvez tenha sido das informações duvidosas sobre a sua vida acadêmica. Agora, cá entre nós, na falta de notícias drásticas relacionadas à Covid-19, a Rede Globo o pegou como novo “cavalo de batalha” para atingir o presidente Jair Bolsonaro. O presidente já havia deixado claro que não ia passar a mão na cabeça de ninguém e até puxou o freio da nomeação. A conversa ao pé do ouvido entre Decotelli e Bolsonaro ontem, certamente, foi determinante para o recuo do ex-novo ministro.

Moeda de troca

Em política a dor também ensina a gemer. Antes contrários ao adiamento das eleições, muitos partidos agora se mostram favoráveis a uma nova data ante a possibilidade de reforço de verbas federais ao pleito desse ano. Legendas também querem a volta da propaganda eleitoral gratuita, banida desde 2017. No entanto, tirar de dinheiro de onde? O presidente das Câmara, Rodrigo Maia (DEM) já adiantou que um acordo está distante de acontecer. Mas tudo depende de negociações ou, melhor dizendo, do toma lá dá cá!

Velhas práticas

Consenso entre especialistas em saúde pública ouvidos pelo Congresso e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o adiamento das eleições municipais, previstas inicialmente para 4 e 25 de outubro, enfrenta um obstáculo político. Deputados estudam condicionar a aprovação do texto ao avanço de outros projetos e à liberação de recursos públicos da União. As negociações envolvem aumento do prazo de auxílio a municípios e retomada da propaganda partidária.

Corpo mole

Pessoalmente, não vejo problemas em juntar congressistas para uma votação mais consistente. Nem precisam e nem podem ir ao plenário por conta da Covid-19. Bastam ligar o ar condicionado e acessar a Internet via computador e pronto, estarão interligados numa mega sessão do pleno. Por se tratar de mudança constitucional, o adiamento das eleições precisa de apoio de três quintos do Congresso, não apenas de maioria simples, e em duas rodadas de votação. É claro que se quiserem tudo acontece a contento. O que não pode é corpo mole ou oportunismo de plantão.

Pelas beiradas

Beneficiados pela exposição que ganharam na pandemia, mas com medo de chegar ao fim do ano com rombo nos cofres públicos, prefeitos têm contrariado recomendações de especialistas de diversas áreas e pressionado a Câmara a não mudar as datas das eleições municipais deste ano, previstas para 4 (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno). A alteração foi proposta ao TSE por médicos infectologistas, cientistas, juízes e acadêmicos do direito. Tem prefeito comendo o mingau pelas beiradas, é claro.

Fiel da balança

Os votos dos parlamentares do centrão, portanto, são essenciais. Agora, para garantir os votos favoráveis à PEC, deputados do centrão pedem que o governo prorrogue para dezembro o prazo da recomposição dos fundos de Participação dos Municípios (FPM) e dos Estados (FPE), que acabaria em julho. A ajuda a mais aos entes seria incluída na Medida Provisória (MP) 938, que prevê transferência de recursos da União para prefeituras e governos estaduais, como forma de recompor perdas arrecadatórias durante a pandemia.

Demorou

Após grupos de investidores estrangeiros ameaçarem deixar o país por conta do desmatamento na Amazônia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, saiu em defesa da política ambiental do governo Bolsonaro. Para Guedes, “nossa imagem está muito ruim lá fora, até mesmo uma parte de nós falamos muito mal do País. Lá fora há muito oportunista protecionista, como a França, que é uma parceira, investe aqui, mas não quer que exportemos produtos agrícolas para lá. Os Estados Unidos querem entrar com etanol no Brasil e não aceitam açúcar brasileiro lá”, afirmou, nesta terça-feira (30).

Armagedom

O que tem de governador e prefeito com as costas arrepiadas com medo da taca da Polícia Federal não é brincadeira. O Ministério Público Federal (MPF) não deu mole e deu carta branca à PF para começar a Operação Sangria, que investiga fraudes em compras da saúde. Ao todo, oito mandados de prisão temporária foram cumpridos hoje, além de buscas e apreensões em 14 endereços de pessoas ligadas ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Pelo jeito, a porteira foi aberta. Será o novo armagedom?

Em nome de Deus

A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, coordenada pelo deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), hoje integrada por 195 deputados federais e 8 senadores, corre o risco de perder sua força na próxima eleição em 2022, caso prospere uma proposta do ministro Edson Fachin, do TSE, de restringir a possibilidade de apoio a candidatos ligados a Igrejas. O TSE poderá enquadrar o apoio a candidatos ligados a Igrejas como abuso do poder religioso. Amém?

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