Secretaria quer popularização do livro e bibliotecas como mediadoras de linguagens

Subsecretaria do Patrimônio Cultural explica propostas no lançamento da “Semana Nacional do Livro e da Biblioteca”

Transformar o livro em um objeto do cotidiano e a biblioteca numa “mediateca”, pólo de mediação de linguagens. Estes foram os dois principais desafios apontados hoje (30) de manhã pelo subsecretário do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) do DF, Cristian Brayner, na abertura da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, evento que celebra dois dos principais vetores capazes de formar uma sociedade leitora.

Em sua fala no auditório lotado da Biblioteca Nacional de Brasília para uma audiência de professores, bibliotecários, pedagogos e escritores, Brayner lembrou que relatório recente do Banco Mundial apontou que o Brasil precisará de 260 anos de políticas públicas de incentivo à leitura para alcançar o nível de países que se encontram na dianteira desse processo. Como a Finlândia, por exemplo.

Segundo números do Instituto Pró-Livro, extraídos de pesquisa de 2016 intitulada Retratos da Leitura no Brasil 4, o brasileiro lê em média três obras por ano, muito abaixo dos sete consumidos na França. E cerca de 30% deles nunca compraram um livro. “A leitura demanda uma mediação que começa na família e é aprofundada na escola, na interação com professores, a figura central nesse processo”, ressaltou o subsecretário da Secec.

Presente ao evento, o subsecretário de Educação Básica da Secretaria de Educação (SEEDF), Hélber Ricardo Vieira, destacou que a parceria entre as duas pastas é fundamental para fazer das bibliotecas públicas e escolares espaços de compartilhamento de experiências educativas e prazerosas em torno do livro.

A gerente de política de leitura da SEEDF, Sonia Maria Soares dos Reis, que faz parte dos núcleos de Educação Básica, afirma que o maior desafio no caminho de formar o hábito de leitura é articular o perfil dos profissionais que atuam nas bibliotecas – pedagogos, bibliotecários, professores e servidores do setor técnico-administrativo. “Hoje a Educação dispõe de uma bibliotecária para 700 equipamentos”, revelou. Já foram mais de 30 desses profissionais, explicou Sonia, mas eles saíram cedidos para outros lugares no serviço público que têm planos de carreira para a especialidade.

A diretora da BNB, Marmenha Rosário, frisou que “o hábito de leitura depende de criação de vínculo com o objeto livro, processo que é fruto da mediação feita pelos profissionais que atuam nas bibliotecas públicas e escolares”. A BNB dispõe de 26 bibliotecários e promove a troca de experiências entre estes e o universo de outros profissionais envolvidos no processo.

Fricção intelectual

Essa vinculação também foi fruto de palestra para os presentes no lançamento da Semana. Com o título Quando o livro conta a história, o escritor Tino Freitas lembrou que a criança precisa de mediação para “fazer fricção” entre os elementos do objeto-livro: imagens, texto e paratextos (aspectos complementares que compõem o livro, como capa, relevos, texturas, encadernação).

Cristian Brayner defendeu também que as bibliotecas precisam deixar de ser meros repositórios de livros para fazer o cotejo entre linguagens, propiciando experiências estéticas e em contato com a demanda do público. Nesse sentido, recordou que a BNB passou por revitalização na atual administração e disse que uma das prioridades da Supac é fazer com que as próximas bibliotecas sejam projetadas com tal finalidade.

Também no encontro, a administradora regional de Riacho Fundo I, Ana Lúcia Melo, reforçou a argumentação do subsecretário da Secec. “O Cristian ter me convidado para vir aqui hoje ilustra nossa preocupação em ter uma boa biblioteca”, afirmou Ana, dizendo aguardar a adequação de um projeto para construir novo equipamento em sua região, com recurso de emendas parlamentares.

“A biblioteca do Riacho Fundo I funciona precariamente há 30 anos em um prédio de estrutura pré-moldada, sem tratamento de climatização nem acústico. E está em uma das vias mais movimentadas e barulhentas da cidade. Vamos mudar isso”, exortou a administradora.

Semana Nacional do Livro e da Biblioteca apresentou nesta quarta-feira (30) a oficina Fundo de Apoio à Cultura-FAC: como captar recursos para Projetos de Leitura, Escrita e Oralidade, ministrada pela diretora Marmenha Rosário. O evento terá ainda quatro encontros em regiões administrativas.

 

* Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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