Cineastas premiados de Brasília fazem filme sobre cotas raciais

Exemplos de sucesso do sistema de cotas raciais, os cineastas brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor ingressaram na Universidade de Brasília (UnB) e, antes mesmo de concluir o curso de audiovisual, em 2017, emplacaram o primeiro filme da carreira no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Agora, dois anos depois, eles unem as mentes criativas novamente para falar sobre o que os trouxe até aqui.

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem "Rumo", dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Ricardo Bravo/Divulgação

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem “Rumo”, dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Ricardo Bravo/Divulgação

O curta “Rumo” está em fase de pré-produção e será um documentário ficcional – que, a partir de uma história inventada, vai retratar a vida real de milhões de pessoas que ingressaram em universidades pelo sistema de cotas raciais.

“A ficção é na narrativa, mas o que ela vai mostrar são histórias reais de estudantes negros e negras que só fizeram universidade em razão das cotas”, explicou Marcus.

“A luta diária para alcançar o ensino superior e como as cotas transformaram vidas.”

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem "Rumo", dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Rodrigo Cabral/Divulgação

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem “Rumo”, dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Rodrigo Cabral/Divulgação

O diretor, que também é professor da rede pública de ensino do Distrito Federal, fez parte da primeira leva de cotistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uerj), onde se formou geógrafo. “É uma mudança de vida. Foram as cotas que me possibilitaram entrar na universidade, que abriu minha mente e as possibilidades que eu tinha.”

“Hoje estou no mercado de trabalho, produzindo, e isso está ligado à existência das cotas, porque antes quase não existiam negros por onde eu passei.”

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem "Rumo", dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Ricardo Bravo/Divulgação

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem “Rumo”, dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Ricardo Bravo/Divulgação

Instituídas no Brasil em 2003, as cotas raciais mudaram o cenário das universidades públicas do país e permitiram que pessoas negras, como eles, tivessem acesso a um ambiente acadêmico primordialmente ocupado por brancos.

“Precisamos refutar o discurso de que o foco do investimento deve ser o ensino básico. As cotas são exemplos de mecanismos que tornam as oportunidades mais igualitárias”, disse Marcus ao G1.

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem "Rumo", dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Rodrigo Cabral/Divulgação

A atriz Leni Ângela e o ator Samuel Veloso do curta-metragem “Rumo”, dos diretores brasilienses Marcus Azevedo e Bruno Victor — Foto: Rodrigo Cabral/Divulgação

O sistema que propõe equalizar as condições de disputa e de oportunidades foi um marco na trajetória dos diretores e, em certa medida, abriu caminho para que eles subissem ao palco do Cine Brasília para receber três prêmios no mais antigo e um dos mais respeitados festivais de cinema do Brasil.

Os diretores do curta-metragem "Afronte", Bruno Victor (esq.) e Marcus Azevedo (dir.) — Foto: Carol Matias/Divulgação

Os diretores do curta-metragem “Afronte”, Bruno Victor (esq.) e Marcus Azevedo (dir.) — Foto: Carol Matias/Divulgação

O curta-metragem “Afronte” foi roteirizado a partir da experiência pessoal dos diretores enquanto homens negros e homossexuais. “Ser negro e gay é um cruzamento de opressões. E, ainda, a maior parte dos LGBTs moram na periferia”, contou Marcus.

“Falamos sobre mecanismos de resistência, da coletividade e do afeto para se entender e se fortalecer.”

Cena do curta-metragem "Afronte", dos diretores Bruno Victor e Marcus Azevedo, durante exibição no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Divulgação

Cena do curta-metragem “Afronte”, dos diretores Bruno Victor e Marcus Azevedo, durante exibição no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Divulgação

No Festival de Cinema de Brasília, o filme levou o Troféu Câmara Legislativa pela montagem, o Prêmio Saruê pela direção e a menção honrosa do 1º Festival Universitário de Cinema de Brasília (FestUni) pela construção criativa.

“Afronte” também ganhou prêmios em festivais de cinema em Juiz de Fora (RS), Alvorada (RS) e em Campo Grande (MS). Marcus e Bruno ainda levaram o filme aos Estados Unidos e à Europa.

Os diretores do curta-metragem "Afronte", Marcus Azevedo (ao microfone) e Bruno Victor (à direita), durante premiação do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Divulgação

Os diretores do curta-metragem “Afronte”, Marcus Azevedo (ao microfone) e Bruno Victor (à direita), durante premiação do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Divulgação

Agora, para viabilizar a produção do curta “Rumo”, os diretores chegaram a inscrever o projeto no edital “Audiovisual” do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) de 2018, mas ele não foi contemplado.

O maior valor de incentivo do fundo para curtas-metragens é R$ 120 mil – 15 vezes a verba com a qual os diretores terão que trabalhar. O filme arrecadou cerca de R$ 8 mil em uma “vaquinha” online, mas ainda recebe apoio. A previsão é que as gravações comecem em agosto.

Quem quiser ajudar financeiramente o projeto, deve entrar em contato com os diretores pelo e-mail mv.dmesquita@gmail.com.

Da Redação com informações do G1 DF.

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