De moto até o Alasca: brasiliense completa um mês na estrada e mostra quadros que pintou no caminho

Há mais de um mês percorrendo estradas sobre duas rodas, o artista plástico brasiliense Manu Militão já pilotou por quase 10 mil quilômetros, cruzou a fronteira entre cinco países e leva na bagagem retratos pintados por ele ao longo do caminho.

A inspiração para as obras são pessoas que, por algum motivo, foram marcantes no caminho. Aos 53 anos, a meta do artista é, nos próximos 70 dias, completar os 42 mil quilômetros que ligam Brasília ao Alasca, nos Estados Unidos (veja mapa abaixo).

Veja percurso montado por Manu Militão, artista plástico viaja de moto de Brasília ao Alasca — Foto: Arte/TV Globo

Veja percurso montado por Manu Militão, artista plástico viaja de moto de Brasília ao Alasca — Foto: Arte/TV Globo

Sozinho, ele deixou a capital federal em 22 de maio para dar início ao projeto “Border” – que significa fronteira, na tradução para o português. Nesta segunda-feira (24), Manu fazia uma parada na Colômbia, quando falou por telefone com a reportagem.

Nessa jornada, o aventureiro diz que enfrentou dificuldades em estradas sinuosas cercadas por montanhas, superou dois acidentes de trânsito e alguns dias internado em um hospital. Apesar dos desafios, ele conta que a jornada vale a pena.

“A ideia é perceber que pessoas que vivem às margens nem sempre foram marginalizadas. Às vezes escolheram viver ali. Quero descobrir o porquê.”

Manu Militão, de 53 anos, vai percorrer 42 mil km de moto de Brasília até o Alasca — Foto: Arquivo pessoal

Manu Militão, de 53 anos, vai percorrer 42 mil km de moto de Brasília até o Alasca — Foto: Arquivo pessoal

Inspiração no caminho

Entre os personagens imortalizados em cores nas telas, o artista pintou de crianças a idosos, todos moradores de cidades que atravessou de moto.

Em um mês de viagem, o Manu Militão pilotou em média 350 km por dia e já coleciona cinco retratos pintados ao ar livre (veja fotos abaixo):

  • Brasil: piloto de barcos que trabalhava como pintor na época da seca,
  • Bolívia: filha do dono de um restaurante que visitou no caminho;
  • Peru: administrador de empresas que viajava de moto pela América do Sul;
  • Equador: senhor que participa de projetos sociais no país e
  • Colômbia: mulher que o hospedou em casa
Menina boliviana pintada por artista plástico do DF — Foto: Manu Militão/Arquivo pessoal

Menina boliviana pintada por artista plástico do DF — Foto: Manu Militão/Arquivo pessoal

Piloto de barco pintado por Manu Militão na fronteira entre Brasil e Bolívia  — Foto: Manu Militão/TV Globo

Piloto de barco pintado por Manu Militão na fronteira entre Brasil e Bolívia — Foto: Manu Militão/TV Globo

As pinturas de Militão muitas vezes são feitas a partir de um modelo vivo. Na rua, o voluntário posa para o artista ou para um retrato e, depois, se vê transformado em traços com variação de luzes e cores.

Para conseguir executar a missão, ele transformou a moto em uma espécie de cavalete – suporte para pintar as telas em branco. Com o desenho pronto, o artista precisa esperar de duas a três horas até o acrílico secar e, só então, seguir viagem.

Depois de percorrido os 14 países, as obras feitas durante a aventura pelo mundo vão ser expostas em cidades dos EUA, Itália, França. A previsão é de que, em setembro, a exposição chegue em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Natal.

“Pessoas que tenho pintado são as que têm atitude fora da linha. São quem chamo de ‘borders’, que estão sempre em uma atitude de ajudar o próximo e transpor sua própria margem e fronteiras.”

Mulher colombiana pintada por Manu Militão — Foto: Manu Militão/Arquivo pessoal

Mulher colombiana pintada por Manu Militão — Foto: Manu Militão/Arquivo pessoal

Rumo ao Alasca

Como companheira para a viagem, Militão escolheu a mesma moto que o acompanha desde 2015. O veículo de 1.600 cilindradas foi apelidado de Nina Simone – cantora favorita do artista.

Nina é a quinta moto que viaja com ele e, desde então, já passou por outras aventuras. A “dupla” já se aventurou pelas estradas que ligam Brasília a Curitiba, percorreu todas as nove capitais da região Nordeste e, recentemente, seguiu até a Argentina.

“Tem sido minha companheira. Não troco por nada.”

Com parte do caminho superado, o aventureiro de Brasília segue, agora, para o Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Estados Unidos, Canadá e, por fim, Alasca.

Da Redação com informações do G1 DF.

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